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8Dias

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O sustento de uma vida Por estes dias, quase toda a gente deu pelas imagens que passam pelos meios de comunicação social. Refiro-me às imagens de violência entre jovens nas imediações do Centro Comercial Colombo. O facto, parece-me, todos condenamos, mas ele não é um fenómeno novo. O que tem de diferente é a sua exposição e o estranho gosto em mostrar e vangloriar-se da autoria de tais factos. Só pela publicação das imagens nas redes sociais é que o apuramento de responsabilidades será possível. Esta introdução serve para apresentar-vos o problema numa outra dimensão: na sociedade da informação em que dizem vivermos, a hipótese de subsistir através da manutenção de um blogue – seja na publicação de textos, imagens ou músicas – é uma realidade. Neste caso, havendo a procura desses conteúdos, haverá a respectiva remuneração do autor. E o que dizer se os conteúdos forem, como as imagens que todos vimos, violadores da integridade física ou psicológica de alguém? Deve haver uma Autorid...

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O acto de ler Esta semana, em que se inicia o derradeiro período deste ano lectivo, proponho-vos a consulta de uma página de uma editora que dá uma nova vida aos livros. Para além da experiência estética de contemplar um quadro, pode esse quadro acrescentar um outro sentido para os textos universais da nossa cultura? Sejam eles ficção, religião, história ou política. Será que contemplarmos “ Moby Dick ”, “ Romeo and Jul iet” ou “ The Origin of Species ” na parede da nossa sala ou da nossa biblioteca é uma outra experiência estética, para além do que pudemos ganhar lendo cada um desses textos? Ou pode ser uma exposição que enfraquece o sentido original que as obras podem encerrar? Que dizem destas leituras? A ligação é a seguinte: http://www.spinelessclassics.com/ professor Luís Vilela

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Ambientalismo sombrio? Ou do que não gostamos não falamos? A provocação desta semana envolve um assunto que, à partida, reúne grande consenso e aprovação. O vídeo que proponho e o desafio que lanço esta semana visa, justamente, colocar em perspectiva esse consenso. Ao mesmo tempo que pretende suscitar interrogações e inquietações relativamente às crenças mais comuns. Como pano de fundo, proponho que se considere a acção humana nas suas mais variadas vertentes (políticas, éticas ou científicas), bem como a análise e a discussão racional das suas consequências.   Será que uma acção – como o investimento e a utilização em larga escala da energia eólica (e dos seus moinhos monstruosos) –, só porque pretende ser alternativa à utilização de outras fontes energéticas, é isenta de consequências? Será que essas consequências são do conhecimento de todos? E a decisão de investir nessas alternativas teve início na discussão livre e aberta de todas as alternativas? Ou ser ambientalis...

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Uma questão de moral. Será? Nova polémica emerge da acção do Ministério da Educação. Desta vez envolve uma campanha sobre violência nas escolas. Para ser preciso, a campanha centra-se no bullying , mas centra-se na sua expressão homofóbica. Julgo que a palavra adequada para referir este tipo de problemas seja apenas: violência (1). A campanha parece estar suspensa, ao que parece, porque o Ministério da Educação considera que as campanhas que patrocina não devem favorecer visões ideológicas sobre a Sociedade. Mas considere-se a mensagem e a imagem que consta desses cartazes (2) . Será que a campanha é muito diferente de outras que o Ministério da Educação já promove? Como a visão supostamente não-moralista que têm as suas linhas orientadoras para a Educação Sexual ou o tratamento das problemáticas religiosas na Escola Pública. Será que a recusa do Ministério se sustenta, na comparação com estas, que já se encontram decididas e, algumas delas, implementadas? Dirijo agora a nos...

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Do ponto de vista de quem pensa. No início de mais um ano é importante convidar os nossos leitores a considerar a seguinte passagem. Justamente, porque muitos de nós estabelece metas e objectivos para o ano que agora começou (algumas delas muito pressionadas pelos maus comportamentos ou erros acumulados), é importante que reservemos algum tempo para o acto imperioso de pensar. Sobre nós, o que queremos fazer com as vidas que levamos e as decisões que tomamos. Assim – talvez – se pudessem evitar todos os planos loucos e projectos impossíveis de realizar ou até as mentiras que se inventam para justificar os – mais que certos – insucessos. Cá vai: A maioria das pessoas não tem qualquer interesse real em conhecer a verdade das coisas (mesmo que digam ou finjam o contrário), como se pode constatar facilmente a partir da forma como pensam e vivem as suas vidas. A atitude natural mais comum entre os seres humanos relativamente às questões fundamentais, ou bem que consiste em assumir incon...

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Coitado do urso polar Na comunicação social surgem relatos de uma nova conferência internacional sobre o clima que se realiza no México. Para além das polémicas em torno das conclusões dessas conferências, importa analisar o comportamento de alguns activistas quando confrontados com perguntas difíceis. Estas, sim verdadeiramente inconvenientes. O que gostava que sublinhar é, justamente, o modo como muitos de nós reage a perguntas que colocam em causa as nossas convicções. As imagens que estão na ligação apresentada dizem respeito à última conferência internacional que se realizou em Copenhaga. Nelas está explícito o comportamento que importa analisar. Muitas vezes agimos na base de impulsos que não encontram justificação racional e que vão, inclusive, contra alguns princípios que defendemos relativamente à convivência com os outros ou que projectamos sobre o comportamento dos outros. E, portanto, não sobre o nosso! Que finalidade orienta este tipo de comportamentos? E será que estam...

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Provocadoras manifestações. Recentemente ocorreram manifestações de estudantes em Lisboa e Coimbra. Interessa convidar os leitores a considerar os motivos destes protestos. E testar algumas interpretações. Seguindo a sua expressão pública, os estudantes mobilizam-se exigindo o fim dos exames nacionais, a redução das penalizações e regime de faltas no Estatuto do Aluno e mais Educação Sexual. Mas consideremos o seguite: estas exigências vão ao encontro das necessidades dos Indivíduos e da Sociedade, no mundo de hoje? Quais são as consequências dessas exigências? Consideremos a abolição dos exames nacionais que, defendem os manifestantes, impede o acesso ao ensino superior. Os exames – com as limitações que todos os instrumentos de medida comportam – servem de referência para um perfil que os alunos no fim do percurso devem ter. Digamos que procuram confirmar se o aluno tem um conjunto de conhecimentos considerado importante. Conhecimentos que, em termos sociais e culturais, são con...

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O regresso da provocação. Para que se pense! Damos aos nossos leitores as boas-vindas ao nosso espaço de reflexão e discussão. O ano lectivo já decorre e, na continuação do bom trabalho que todos fizemos no ano passado, gostava de renovar o convite para que participem neste vosso espaço, aceitando o desafio de pensar em conjunto. A única condição é que todos aceitemos submeter, à análise de todos, as vossas opiniões e argumentos. Abalados com as certezas sobre o clima? Nestes artigos já colocamos à consideração de todos as dificuldades que muitas vezes sentimos quando queremos colocar alguns problemas em perspectivas novas ou tentamos encontrar respostas divergentes e alternativas para problemas comuns. Resultou, das discussões anteriores, a constatação de que muitas são as dificuldades em alcançar consensos sobre alguns problemas. Esta semana gostava de propor-vos que analisassem uma campanha de prevenção das alterações climáticas. Não avançando nada quanto ao seu conteúdo, pergun...

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Falando ainda de construções. No seguimento dos textos que temos publicado e das participações que temos recebido, é-me difícil resistir a partilhar, com todos, mais estas palavras. Espero que nelas revejam os elos dos anteriores dilemas apresentados. Algumas pessoas já devem ter reparado - mesmo aquelas que entram hoje de férias - que alguém resolveu deixar a sua marca perto do portão da nossa Escola. Bom, salto as considerações de ordem estética (afinal é apenas uma assinatura - tag ) e pergunto: a pessoa que decidiu proceder e essa "intervenção" pode dizer-se livre? Nesse comportamento podemos vislumbrar intenção ou finalidade como as que assinalámos anteriormente quanto às expressões artísticas? E esta pergunta está relacionada com algumas intervenções da nossa caixa de comentários. Diziam algumas leitoras (não vou citar literalmente, mas a ideia é a seguinte): se eu quiser andar nua na rua não posso, logo não sou livre. Ora, ambos os casos se aproximam da ideia de que, ...

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Foram muitos os contributos dos nossos leitores que procuraram analisar criticamente o desafio que se propôs. Assim, enquanto autor do 8Dias, impus-me a tarefa de fazer uma síntese das posições manifestadas. Espero estar à altura de tão rica discussão . Certo é que o ponto de partida encerra uma provocação. Um incitamento a que nos pronunciemos face à riqueza expressiva da arte ou do pensamento livre. E muitas foram as posições assumidas na caixa de comentários. Na generalidade, as posições manifestadas podem ser reunidas em três grupos. Por um lado, talvez seja a posição mais comum, defende-se que a arte pode ser o espelho do que se passa no mundo – e a violência e a pornografia estão nele –, sendo que a interpretação e assimilação dessa expressão artística depende daquele que dela desfruta. Assim, a arte pode expressar um protesto (político ou outro) face a um determinado assunto, sensibilizar e combater a indiferença face ao que se passa algures. Outro grupo de opiniões menos repres...

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Passar das marcas? Acusar? Manipular? E se... Jornal i, 01 de Maio de 2010 Esta semana o 8Dias traz-vos mais um problema. Um dilema. Vamos a factos: recentemente foi retirado do Youtube um vídeo da cantora londrina M.I.A. que acompanha a sua recente canção Born Free , pela acusação de ser muito violento. O vídeo parece uma grande produção cinematográfica (ainda que contida em aproximadamente 9 minutos), onde se desenvolve a acção violenta de uma força de elite apostada em erradicar indivíduos cuja característica distintiva é serem ruivos. Para além de todos os dados (relevantes ou não) que gravitam em torno deste episódio - a questão que aqui se gostaria de propor é: será arte ou provocação gratuita a exibição de violência ou pornografia? Seja num teledisco, quadro ou novela. O contexto que proponho para analisar esta questão é o da liberdade de expressão e de pensamento, mas também o da mais simples intenção humana de manipular em vez de persuadir. E se for mais um aceno interpelador...

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Tap. Tap. Ou o que são umas passadas na tua vida? - Jornal i, 12 de Abril de 2010 A surpresa começa, desde logo, no título. Mas a história envolve mais do que a surpresa por ele suscitada. A história resume-se facilmente: dois entusiastas da plataforma social Twitter desenvolveram um par de sapatos despostivos ( Rambler Shoes ) que enviam mensagens para essa plataforma, e para os seguidores que lhe estejam associados, enquanto são usados. Estes empreendedores desenvolveram o conceito e optimizaram os procedimentos, aguardando por investidores para produzir e comercializar uma gama limitada do produto. Segundo dizem, avizinham-se mais projectos relacionados com as redes sociais, como roupa que envia dados sobre a temperatura, a pulsação ou outros dados íntimos dos seus utilizadores. Ultrapassamos a incredulidade e concentramos a atenção quando um dos criativos nos diz, e citamos: "Brincadeiras à parte, os Rambler Shoes são uma ironia sobre o ´hype` à volta da web 2.0. Será que...

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"Quer fazer uma pergunta?" in Revista Ler - Abril de 2010 O artigo de José Mário Silva espelha uma situação muito curiosa. Diz-nos o autor que, ao dinamizar conferências, debates ou apresentações de obras literárias não receia uma qualquer intervenção mais arrojada ou crítica sobre os temas apresentados. O que perturba é um público que oscila entre o silêncio insuportável e a apropriação abusiva do microfone. Ou seja, no período em que a assistência pode apresentar as suas dúvidas, avançando para um momento de sã discussão dos temas tratados, dá-se a situação - muito comum, pelos vistos - em que há quem não diga coisa alguma ou quem aproveita a situação para "contar a sua vida toda". Esta situação traduz a angústia do orador ou do professor quando apresenta uma ideia ou dinamiza uma aula. À pergunta: "Que me dizem deste argumento?" ou "Compreendem agora a relação destas teses com as que são defendidas pelo autor X?", muitas turmas revelam este c...

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"Protecção a mais afecta o cérebro das crianças". in Jornal i, 12/03/10 O título por si só é provovador e é uma das conclusões de um estudo científico da Universidade de Gunma, no Japão. Vamos por partes: as consequências do excesso de zelo do pai (segundo parece o cuidado materno não tem os mesmos efeitos!) podem ser o desenvolvimento do cérebro em áreas associadas à doença mental. Os resultados mostram que aqueles que tiveram pais demasiadamente protectores apresentavam menos massa cinzenta numa parte específica do cérebro, responsável por vivenciar relações equilibradas. O que surpreende é que no outro extremo do perfil dos pais, isto é, pais negligentes, acarretam as mesmas consequências para os filhos. Confuso? O que pensarão os nossos leitores desta (aparente) contradição?

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O professor Luís Vilela, colaborador deste projecto, passará a assinar os posts com a etiqueta "8Dias". Falando sobre os objectivos desta rubrica semanal : "Neste pequeno espaço serão seleccionadas e apresentadas algumas peças jornalísticas publicadas na semana anterior. A apresentação mais simplificada visa criar um espaço de discussão e análise. Das ideias e dilemas que a narrativa pública – é o que são as notícias – anuncia. É, arrisco-me a afirmá-lo, acima de tudo um espaço para os leitores e visitantes do blog poderem manifestar-se face a uma escolha. Do que se leu. E muito terá, certamente, ficado por ler. Bem-vindos. " ____________________ Esta semana: “No futuro, todos seremos anónimos por 15 minutos.” In jornal i – 9/03/10 É com esta frase que somos confrontados quando procuramos conhecer não só a arte que faz, mas o autor/ grafitter anónimo cujo trabalho tem ganhado protagonismo global. A sua alcunha é Bansky e tem deixado stencils por várias paragen...