Ler em voz alta (2)
Desde o seu surgimento, há 5.200 anos atrás, na Mesopotâmia, que a escrita foi criada com a finalidade de ser lida em voz alta e, por isso, continha na sua própria estrutura elementos de oralidade que, para além de atraírem a atenção do leitor e de envolverem emocionalmente o recetor, facilitavam o entendimento da mensagem. Os elementos de oralidade a que nos referimos são, entre outros, as repetições, as redundâncias e os pleonasmos, as metáforas, as hesitações, os trocadilhos, os alongamentos, as rimas, as frases feitas, os ditos populares e a gíria. O avanço da ciência e da técnica impôs à escrita uma crescente abstração e depuração dos seus elementos orais que, nessa medida, tem evoluído no sentido de uma maior objetividade e neutralidade. Fomos educados e somos educadores neste paradigma das Luzes e, nesta medida, cultivamos o uso da palavra ( logos ) escrita (divorciada da oralidade) e do silêncio. Só assim se compreende que nos seja tão difícil ler em voz alta faze...