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Francisco Galope

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Na  Batalha de La Lys , Milhões ficou para trás e cobriu a retirada dos camaradas. Durante vários dias vagueou por trincheiras e descampados sobrevivendo graças à sua metralhadora e a um pacote de amêndoas da Páscoa. Ao regressar ao seu acampamento, depois de matar soldados alemães e salvar civis, foi recebido como um herói. «A história do Milhões tem qualquer coisas de conto de fadas. Qaundo o seu filhito tiver idade de ouvir histórias, se alguém o tomar sobre os joelhos e lhe contar a de seu pai, o pequeno tem de abrir uns grandes olhos, como se lhe relatassem o caso do Grão de Milho ou da Gata Borralheira.» André Brun in Diário de Notícias (1924) Uma história de glória e esquecimento de um soldado que se tornou uma lenda.

Aníbal Milhais, o soldado Milhões

Milhões, o herói português da Grande Guerra Este homem valia por vinte, trinta mil, por um milhão de homens. Não devia ser Milhais, mas Milhões. Comandante do batalhão em que Milhais servia  (França) Aníbal Augusto Milhais (1895-1970) combateu na Grande Guerra (1914-1918) como elemento do Corpo Expedicionário Português (CEP) entre 1917 e 1918. Tal como a grande maioria dos soldados do CEP era um jovem de origens muito humildes, analfabeto, agricultor e que, até à data da sua partida para a Guerra, não tinha saído das imediações da sua terra natal, Valongo, concelho de Murça (Trás-os-Montes). Não fora a iniciativa do jornal Diário de Lisboa , em 1924, convidá-lo para participar na cerimónia de Estado de tumulização dos dois soldados desconhecidos da Grande Guerra (um das expedições em África e outro das expedições na Flandres) e acender da Chama da Pátria que teve lugar no Mosteiro da Batalha e, provavelmente não ouviríamos falar mais dele, dada a sua simpli...