quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Fernando Martinho


          Fernando Pessoa não foi único naquilo que fez e criou, a heteronímia, mas foi aquele que a levou mais longe e que quebrou todos os limites. Em vida não foi reconhecido, o seu génio passou despercebido. Aquando da sua morte, teve direito apenas a uma pequena notícia no Diário de Notícias porque o seu amigo Almada Negreiros teve a preocupação de informar o jornal da sua morte. A sua obra só se tornou conhecida após a descoberta da sua famosa arca que se revelou uma verdadeira lâmpada de Aladino. A cada procura foram descobertos textos e mais textos, que revelaram um génio incomparável - um ser único com uma capacidade ilimitada de inventar e de se inventar.
O seu peso na literatura portuguesa e mundial já deu azo a milhares de estudos e debates em todo Mundo e, neste momento, já existe nos seus leitores quase que uma obsessão. Pessoa é nosso escritor de culto, o nosso orgulho.
Para tentarmos descobrir um pouco mais e tentarmos penetrar na sua obra, no dia 16 de Dezembro, esteve na nossa Escola o professor Dr. Fernando Martinho. Foi um enorme prazer ouvi-lo discorrer sobre as características de Pessoa. Ficámos a saber que Álvaro de Campos era o heterónimo mais emotivo e mais próximo do Ortónimo. Revelou, ainda, que Ricardo Reis tinha sido inspirado num antigo professor do escritor e que, infelizmente, Alberto Caeiro teve uma vida breve. Foram, sem dúvida, 90 minutos de partilha e cumplicidade entre alguém que sabe muito sobre Fernando Pessoa e aqueles que desejam saber mais e mais sobre o mestre da escrita portuguesa, único e irrepetível, na minha perspetiva.
Em Pessoa viviam muitas pessoas e este encontro ajudou-nos a conhecer um pouco mais os mistérios dessas pessoas que “habitavam” (n)o nosso maior escritor e o tornaram o mais alto representante da nossa pátria: “a língua portuguesa.”
Durante esta palestra, conhecemos um pouco o  seu percurso como escritor em língua inglesa. Mas foi na nossa língua que Pessoa nos deixou uma obra múltipla que nos seduz e interpela e que, acima de tudo, nos faz sonhar por "mares d' além", onde não existem barreiras ou limitações. Foi esta a perceção que nos deixou este encontro. Um encontro de vontades, cheias de desejo em querer saber sempre mais e mais.
O Dr. Fernando Martinho encantou-nos com o seu tom calmo, mas entusiasmado, produto do seu enorme amor por Pessoa e levou-nos a viajar, de uma maneira muito especial, pelo universo pessoano.

Carolina Batista, 12º H2 

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