terça-feira, 14 de junho de 2011

Helena Marujo



As principais organizações mundiais de saúde informam que actualmente a depressão é responsável por uma morte em cada 75 minutos e prevêem que esta doença venha a ser, em 2020, a segunda causa de morte em todo o mundo. Em Portugal e de acordo com o Alto Comissariado da Saúde e o INFARMED venderam-se, em 2006, 20,3 milhões de embalagens de psico-fármacos, valor que corresponde a uma média de duas embalagens por pessoa. Nos EUA gastam-se actualmente cerca de 15 mil milhões de euros por ano neste tipo de medicamentos. Nestes valores importa destacar que os gastos com a medicação em crianças foram maiores para tratar problemas de comportamento do que problemas de saúde física (Medic Health Solutions) e que a medicação tem aumentado ao mesmo tempo que tem diminuído o apoio dado às pessoas pelos serviços de saúde mental (Martin & Leslie).

A par deste consumo, os países ditos desenvolvidos produziram uma cultura da doença mental, de acordo com a qual a melhor forma de lidar com as emoções é o uso de medicamentos. Por isso fabricaram pílulas para descontrair, para diminuir a tristeza, para levar as crianças a acalmarem-se e a ter boas notas.

Neste contexto, as psicólogas Catarina Rivero e Helena Marujo explicam em Positiva-mente que a necessidade de combater as emoções negativas, conforme se propõem, decorre do facto da experiência destas impedir o ser humano de restaurar a ordem subjectiva interior e de focar a atenção em tarefas externas que lhe permitam desfrutar dos momentos presentes (fluir). Emoções como a tristeza, a ansiedade, o medo e a culpa produzem pensamentos ruminantes, auto-alimentam-se e tendem a tornar-se um hábito, produzindo entropia psíquica. Neste combate importa desmistificar algumas ideias, tais como: o dinheiro traz felicidade; as circunstâncias determinam a felicidade; o passado determina o comportamento, conforme defende a Psicanálise e outras teorias da mente humana.

Sustentando que a felicidade vem mais do fazer do que do ter (a partir de um nível médio de satisfação das necessidades materiais, a riqueza deixa de ter um impacto significativo no bem-estar das pessoas) e que decorre do desenvolvimento da espiritualidade, que a forma como encaramos as circunstâncias e o passado influencia mais as nossas emoções do que aquilo que efectivamente nos acontece(u), Catarina Rivero e Helena Marujo sugerem em Positiva-mente uma diversidade de técnicas que podem contribuir para eliminar o sofrimento desnecessário e cultivar a resiliência (capacidade para lidar com a adversidade), necessárias a uma vida mais satisfatória.

professora Liliana Silva



O livro está disponível na biblioteca.

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