A Biblioteca recomenda: «O Museu da Inocência» de Orhan Pamuk

Orhan Pamuk, escritor turco vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 2006, escreveu este Museu da Inocência em 2002, uma das obras que certamente o catapultaram para o reconhecimento da Academia Nobel.
Neste livro, Pamuk conta a história de Kemal, herdeiro de uma família rica de Istambul, e da sua paixão obsessiva por uma familiar afastada, Fusün, paixão que o levará, ao longo de décadas, a colecionar objetos que pertenceram à sua amada e com os quais criará um museu.
Paralelamente, o autor abre-nos uma janela para a história da Turquia nas últimas décadas do século XX e inícios do século XXI e apara uma Istambul meio ocidental e meio tradicional, com a sua emergente modernidade e a sua vastíssima história e cultura.

Aqui fica um excerto de uma obra que a Biblioteca recomenda:
«Foi durante estes dias, os mais sombrios da nossa história, e sobretudo durante ps últimos meses de 1979, que roubei mais coisas da casa dos Keskins. Por esta altura, aqueles objetos já não eram lembretes de momentos da minha vida, não eram apenas recordações. Para mim, formavam parte fundamental desses momentos. Por exemplo, as carteiras de fósforos que podem ver aqui no Museu da Inocência: Fusün tocou em cada uma delas, ali deixando o perfume das suas mãos e ténue aroma da água de rosas. Tal como acontece com tantos outros objetos em exibição no meu museu,sempre que segurava nas mãoes uma destas carteiras de fósforos, nos apartamentos Merhamet, consguia reviver o prazer de partilhar a mesa com Fusün e de a olhar nos olhos. Mas, mesmo antes disso, sempre que levava ao bolso uma carteira de fósforos, fingindo não de mdar conta de o ter feito, havia uma outra razão para me alegrar: podia não ter “ganhado”a mulher que amava tão obsessivamente, mas alegrava-me o facto de ter conseguido tirado um pedacinho dela e guardá-lo para mim, por pequeno que fosse.»

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