sexta-feira, 12 de junho de 2015

Primavera Poética (6)




Como já é habitual, o grupo de teatro Reticências juntou alguns dos seus elementos para realizar a Primavera Poética de 2015. Sendo que o tema da Primavera Poética é sempre a celebração da chegada da Primavera, ao mesmo tempo que se declamam poemas, este ano não foi exceção. Foram escolhidos uma série de poemas de variados escritores (desde Sophia de Mello Breyner Andresen até Miguel Torga) para serem declamados no jardim da Escola Secundária Leal da Câmara.

Em autêntica celebração greco-romana, o cenário que se formou foi inspirado na Antiguidade Clássica onde predominavam as togas, as coroas e as flores  que, entre outros elementos, ajudaram a (re)criar o ambiente. Ao som do violino (tocado pelo elemento do grupo Nuno Carmo), as energias primaveris começaram a formar-se num belo dia de sol.

Assim, esperemos ter iniciado da melhor maneira a Primavera na nossa escola, convidando os alunos para participarem neste espírito. Nesse sentido, no fim da performance alguns alunos leram também poemas de outros autores, ao mesmo tempo que eram agraciados pelos atores com flores.
Foi uma experiência leve e positiva para os elementos dos Reticências que assim se despedem de mais um ciclo.


Ana Narciso, Ana Raquel Lopes  e Marta Fernandes, 12º H2


Mathias Énard




13 de maio de 1506: ao desembarcar em Constantinopla, Miguel Ângelo sabe que enfrenta o poderio e a cólera de Júlio II, papa guerreiro e mau pagador, para quem deixou preparada a edificação de um túmulo em Roma. Mas como não havia de responder ao convite do sultão Bayazid, que, depois de ter recusado os planos de Leonardo da Vinci, lhe propõe a conceção de uma ponte sobre o Corno de Ouro?
Assim começa este romance, todo feito de alusões históricas, servindo-se de um facto concreto para expor os mistérios daquela viagem.

Perturbante como o encontro do homem do renascimento com as belezas do mundo otomano, exato e cinzelado como uma peça de ourivesaria, este retrato do artista em pleno trabalho é também uma fascinante reflexão sobre o ato de criar e sobre o simbolismo de um gesto inacabado para a outra margem da civlização. É que, através da crónica dessas poucas semanas da História, Mathias Énard esboça uma geografia política cujas hesitações ainda hoje, passados cinco séculos, são igualmente sensíveis.

Tradução de Pedro Tamen


Disponível na biblioteca.



sexta-feira, 5 de junho de 2015

Boyhood



Richard Linklater, Boyhood, EUA, 2014  [2h, 46m]


Filmado ao longo de 12 anos, sempre com mesmo elenco, Boyhood - Momentos de uma vida, é uma inovadora  história sobre o crescimento e uma experiência cinematográfica única.

Thann Hawke e Patrícia Arquete (vencedora do Óscar de melhor atriz secundária) lideraram o elenco como os pais de Mason (Ellar Coltrane), que cresce, literalmente, a olhos vistos, no ecrã de cinema à nossa frente. Explorando o conturbado terreno da adolescência, como nunca antes no cinema, este filme conta ainda com uma banda sonora que inclui os êxitos "Yellow" dos Coldplay e "Deep Blue" dos Arcade Fire. 

Boywood - Momentos de uma vida é ao mesmo tempo uma nostálgica cápsula do tempo de um passado recente, e um retrato genuíno e atual sobre os desafios do crescimento, para as crianças e seus pais.


Número de registo: 727

Malala


Edição para jovens leitores

Malala Yousafzai tinha apenas dez anos quando os Talibãs tomaram o controlo da região onde vivia. A música passou a ser um crime. As mulheres foram proibidas de ir ao mercado. As raparigas deixaram de poder ir à escola.

Nascida numa região do Paquistão outrora pacífica mas depois transformada pelo terrorismo, Malala foi educada a defender os valores em que acredita. E sob a região talibã lutou pelo seu direito à educação. No dia 9 de outubro de 2012, quase perdeu a vista por essa causa: foi gravemente atingida à queima roupa quando regressava a casa na carrinha da escola.
Ninguém esperava que ela sobrevivesse.
Hoje, Malala é um símbolo do protesto pacífico e a pessoa mais jovem de sempre  a receber o Prémio Nobel da Paz.

Esta edição das suas memórias dirigidas aos leitores mais jovens, dá-nos a conhecer a história extraordinária de uma rapariga que soube desde muito cedo que queria mudar o mundo.
E mudou.


Cota: 82-93 YOU

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Feira do Livro (3)





Começou ontem no Parque Eduardo VII em Lisboa  a 85ª edição de Feira do Livro.
De segunda a quinta-feira, entre as 22h00 e 23h00,  acontece a "Hora H", onde várias editoras, durante uma hora, colocam alguns livros à venda com descontos de 50 %.

Esta e outras iniciativas podem ser consultados no sítio oficial da feira, Aqui.



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Francisco Galope



Na  Batalha de La Lys, Milhões ficou para trás e cobriu a retirada dos camaradas. Durante vários dias vagueou por trincheiras e descampados sobrevivendo graças à sua metralhadora e a um pacote de amêndoas da Páscoa. Ao regressar ao seu acampamento, depois de matar soldados alemães e salvar civis, foi recebido como um herói.

«A história do Milhões tem qualquer coisas de conto de fadas. Qaundo o seu filhito tiver idade de ouvir histórias, se alguém o tomar sobre os joelhos e lhe contar a de seu pai, o pequeno tem de abrir uns grandes olhos, como se lhe relatassem o caso do Grão de Milho ou da Gata Borralheira.»

André Brun in Diário de Notícias (1924)

Uma história de glória e esquecimento de um soldado que se tornou uma lenda.



Aníbal Milhais, o soldado Milhões





Milhões, o herói português da Grande Guerra

Este homem valia por vinte, trinta mil, por um milhão de homens. Não devia ser Milhais, mas Milhões.
Comandante do batalhão em que Milhais servia  (França)


Aníbal Augusto Milhais (1895-1970) combateu na Grande Guerra (1914-1918) como elemento do Corpo Expedicionário Português (CEP) entre 1917 e 1918. Tal como a grande maioria dos soldados do CEP era um jovem de origens muito humildes, analfabeto, agricultor e que, até à data da sua partida para a Guerra, não tinha saído das imediações da sua terra natal, Valongo, concelho de Murça (Trás-os-Montes).
Não fora a iniciativa do jornal Diário de Lisboa, em 1924, convidá-lo para participar na cerimónia de Estado de tumulização dos dois soldados desconhecidos da Grande Guerra (um das expedições em África e outro das expedições na Flandres) e acender da Chama da Pátria que teve lugar no Mosteiro da Batalha e, provavelmente não ouviríamos falar mais dele, dada a sua simplicidade e modéstia.

O seu maior feito na frente de combate da Flandres foi durante a batalha de La Lys (9 de abril de 1918) em que, contrariando as ordens de um oficial, cobriu a retirada dos seus companheiros portugueses e britânicos, acompanhado de uma metralhadora ligeira Lewis, arriscando a própria vida.
 Pelo seu desempenho exemplar na Guerra foi o único soldado raso a receber a mais alta condecoração a que um militar português pode aspirar, a de Cavaleiro da Ordem de Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. Para além desta, foram-lhe atribuídas ainda outras condecorações, designadamente a de participação na Frente Ocidental, a Medalha Interaliada da Vitória, a Medalha de Cobre Leopoldo II da Bélgica, a Cruz da Guerra da 1.ª Classe, para além de um prémio de 1000 liras atribuído por uma sociedade italiana.

O testemunho da sua neta no passado dia 15 de abril de 2015, pelas 15 horas, no auditório da ESLC, Dra. Leonida Milhões, constituiu a justa e singela homenagem da Escola aos humildes combatentes do CEP que, sem compreenderem as razões de uma Guerra tão mortífera, aí deixaram a sua vida. Leonida, vinda de Torres Vedras propositadamente para esta sessão, partilhou com os alunos e professores presentes no auditório o seu ponto de vista do homem e do avô que foi este soldado, mostrou fotografias do seu espólio que pode ser visto no Museu Militar do Porto, falou do projeto de construção de uma Casa Museu e ofereceu à biblioteca um bilhete-postal no qual o seu avô surge retratado e que esta conservará com muito carinho.

Aníbal Milhais não deixou escrito nada. Para que o exemplo de valentia deste jovem franzino de bigode farfalhudo perdure na memória das futuras gerações também muito contribuirá, por certo, a publicação do empolgante romance histórico do jornalista Francisco Galope, O Herói Português da I Guerra Mundial. De anónimo nas trincheiras a herói nacional, a história de Aníbal Milhais, o soldado Milhões, em 2014, pela Matéria Prima Edições e que se encontra disponível na biblioteca.

Desenvolvimento de conteúdos Aqui e Aqui.

professora Liliana Silva