sexta-feira, 8 de maio de 2015

Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes

Cota: 94(469) AFO



A Grande Guerra deflagrou nos primeiros dias de Agosto de 1914 e só terminou com a assinatura do Armistício, em 11 de novembro de 1918. Iniciada na convicção de uma campanha curta, a guerra só viria a parar cinquenta e dois meses depois, com 65 milhões de homens mobilizados, oito milhões e meio de mortos, 20 milhões de feridos, milhares de prisioneiros e desaparecidos.

Portugal participou em três frentes de combate (Angola, Moçambique e Flandres), mobilizou mais de 100 mil homens e deixou nos campos de batalha mais de oito mil mortos. A Grande Guerra demonstrou como era frágil a ordem internacional, baseada no equilíbrio de poderes e numa complexa rede de alianças. O campo de batalha modificou-se. O mundo percebeu a sua nova dimensão. Passamos todos a ser vizinhos.



Portugal e a Grande Guerra



O momento alto da comemoração da Guerra em março de 2015 foi marcado pela conferência proferida por Aniceto Afonso, autor do livro Portugal e a Grande Guerra, escrito em parceria com Carlos de Matos Gomes e reeditado em 2014 pela editora Verso da História.

       Ocorreu no dia 18, às 15:15 horas, numa biblioteca repleta de alunos, professores, elementos da comunidade, Presidente e outros membros da Junta de Freguesia de Rio de Mouro e da Direção do Agrupamento. O Coronel do Exército Aniceto Afonso começou por contar a história do processo de elaboração de uma obra de referência como esta que, para além de congregar os maiores especialistas dos temas que versa reúne um número muito significativo de ilustrações com documentos da época que a torna, onze anos depois da sua primeira publicação um documento tão atual e interessante. As razões da Guerra, o quotidiano nas trincheiras e as novas tecnologias da época (por exemplo em áreas como as da medicina e do armamento militar) foram alguns dos temas em discussão.
A fechar a sessão uma notícia trazida em primeira mão: a da criação de um Movimento de Perdão aos Fuzilados na Grande Guerra da iniciativa da Liga dos Combatentes e que, no caso português, recai sobre um único soldado, João Ferreira de Almeida que, com 23 anos de idade, é fuzilado a 16 de setembro de 1917, na Flandres. Oxalá os caminhos labirínticos da burocracia portuguesa não impeçam o reconhecimento oficial deste perdão para que, finalmente, as famílias dos que foram condenados sem justa causa possam ter paz.


         Não poderia fechar este post sem a justa referência ao contributo da Dra. Marília Afonso para o alargamento e melhoria de uma rede de bibliotecas escolares em Portugal aquando do exercício das suas funções na RBE (DRELVT) e por mão de quem Aniceto Afonso nos honrou com a sua presença. 
Amiga fiel da nossa biblioteca ofereceu-nos, desta vez, o lindíssimo e recentíssimo livro de Jorge Castro (textos e imagens), Abril - Um modo de ser, para além de nos deixar as referências bibliográficas do que de mais recente se publicou em Portugal no âmbito da Guerra e do 25 de abril de 1974 e que tem o maior interesse curricular. 

            Aqui fica a nossa palavra de sentido reconhecimento e gratidão.


professora Liliana Silva


[O dossiê da Grande Guerra, publicado a 6 de março de 2015, está disponível aqui ].



Comemoração da Grande Guerra




         No ano letivo 2014/2015 a biblioteca da ESCL assinalou a passagem do centenário do início da Grande Guerra (1914-1918) com um conjunto de iniciativas alusivas à participação de Portugal na Guerra na frente militar europeia (Flandres - Bélgica) entre janeiro de 1917 e março de 1919 (chegada dos últimos prisioneiros à metrópole). Trata-se de um modesto contributo para lembrar a participação de Portugal num conflito à escala mundial – o único no qual Portugal participou – e que poderia ter evitado, mas que por ambições imperialistas não quis evitar. Fica-nos a duríssima lição da experiência e o dever de memória deste acontecimento, até agora, tão pouco discutido na lecionação dos programas curriculares das escolas.

A biblioteca realizou esta comemoração, como habitualmente, articulando diferentes perspetivas, documentos e suportes para que uma compreensão tão alargada deste acontecimento frutifique.

O contexto de realização das iniciativas foi criado mediante a exposição na biblioteca de um conjunto de 10 painéis (Portugal e a Grande Guerra) concebidos pelo Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH-UNL) e de peças de artilharia e de uso militar na Grande Guerra amavelmente emprestadas pelo Museu Militar de Lisboa. Foi ainda enriquecido mediante a projeção de um conjunto de imagens devidamente legendadas  e a audição de músicas da Guerra, levantamento gentilmente realizado por Luís Sanches. A recriação, nos jardins da Escola, de uma pequena parcela de um cemitério militar da Guerra que contou com a preciosa colaboração do assistente operacional Paulo Viegas também foi o cenário adequado para homenagem aos soldados desconhecidos e aos homens que, não fazendo suas as razões da Guerra, pagaram com a própria vida o dever de consciência de desertar.

Nestes cenários foram realizadas durante o mês de março de 2015, diariamente e por parte da professora bibliotecária, visitas guiadas a turmas de todos os anos de escolaridade acompanhadas do respetivo professor curricular.

professora Liliana Silva



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Arte urbana


    Avenida da Índia



Cruzou-se hoje com alguma peça de grafitti? Qual foi a última obra de street art em que reparou? Agradou-lhe o seu impacto na rua?

Nas fachadas, nos muros, nos painéis, nos vidrões de Lisboa, há todo um mundo artístico por descobrir.
A cidade tem vindo a afirmar-se no panorama europeu como uma das capitais que promove e sensibiliza para as manifestações ligadas ao universo da arte urbana, reunindo trabalhos de notáveis artistas nacionais e internacionais, de dimensões mínimas e de vasta escala, criadas por diversas gerações de autores, com técnicas e discursos totalmente distintos.

Esta edição apresenta um pouco do muito que foi realizado neste universo plástico, entre 2012 e 2013, ou, sendo produções anteriores, do que ainda hoje se encontra patente, proporcionando aos seus leitores a possibilidade de traçarem percursos por algumas das mais emblemáticas criações de Lisboa. É urgente visitá-las, não apenas pela sua irrelevante, inesperada e insólita beleza, mas particularmente por esta ser uma expressão efémera, podendo desvanecer-se a qualquer instante.

Desfrutem - tal como a poesia, a arte urbana está nas ruas e também nas páginas deste livro...

in, Introdução.

A edição bilíngue  (português/inglês)  do livro Street Art Lisbon  inclui um mapa desdobrável com sugestões de itinerários.

Cota: 75.05 CML


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Blimunda (2)



A Fundação José Saramago assinala o Dia Mundial do Livro  com a comemoração de três anos de publicação da revista digital Blimunda.

O nº 35 da revista presta homenagem a Herberto Helder, Eduardo Galeano, Manoel de Oliveira e Günter Grass e está disponível AQUI .


Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor




sexta-feira, 17 de abril de 2015

Guilherme Valente


  

A ciência entrou na casa da maioria dos nossos professores através dos livros da Gradiva, designadamente da sua coleção Ciência Aberta. Quando a divulgação científica em Portugal era praticamente inexistente, os livros desta editora deram-nos a conhecer os principais autores, portugueses e estrangeiros que lideravam o pensamento científico e filosófico contemporâneo e, desde então, o nosso mundo não foi mais o mesmo.

Na Escola Secundária Leal da Câmara os professores desenvolvem o currículo dos diferentes cursos científico-humanísticos mediante a leitura de livros da Gradiva com base nos quais solicitam aos alunos os trabalhos mais variados: textos, maquetas, filmes, programas de rádio… Esta prática tem permitido não só aprofundar os conteúdos como também suscitar a curiosidade, o rigor e o fascínio com que estes conteúdos são discutidos nas aulas. Na nossa escola os livros da Gradiva são os mais lidos logo a seguir aos de literatura.
Por estes motivos a palestra que o Dr. Guilherme Valente veio proferir à Escola no dia 19 de março de 2015, às 15 horas, subordinada ao tema Leitura, Ciência, Liberdade e Desenvolvimento e, por ocasião da exposição Viagem ao Infinitamente Pequeno, organizada pelo Grupo de Biologia e Geologia, foi um momento muito especial há muito aguardado.
E o impacto provocado correspondeu exatamente às expetativas criadas. Evocando a sua vastíssima experiência de vida e referências culturais e literárias o Dr. Guilherme Valente discutiu o tema a que se propôs referindo viagens, grandes livros, filmes, peças de teatro… numa deriva intelectual verdadeiramente brilhante que cativou e tocou profundamente os alunos e professores que encheram o auditório. No final, maravilhados, alguns de nós comoveram-se e houve mesmo uma aluna que se lhe dirigiu dizendo algo como isto: “Até hoje eu não sabia se a minha opção por ciências era a correta, depois da sua palestra tive a certeza que sim que esta é a área que eu quero seguir. Obrigada!”

No final da sessão houve ainda tempo para uma visita guiada à exposição, uma chávena de chá e um bolo e mais algumas palavras, sempre na companhia de alunos que não largavam o Dr. Guilherme Valente, não obstante o toque de entrada para as aulas já ter soado há muito. Um episódio divertido: a lembrança que escolhemos oferecer ao Dr. Guilherme Valente foi o livro Logicomix que conjugava na perfeição duas das suas grandes paixões, a ciência e a banda desenhada e que não nos ocorreu ser... da Gradiva. Enfim, um ato falhado que revela o dado empírico que faltava para comprovar cientificamente que a nossa relação com a Gradiva é apaixonada e, mesmo, obsessiva.

Uma última palavra de agradecimento pela generosa oferta de livros para a biblioteca da Escola e pelo empenho e profissionalismo da Dra. Sara Lutas para que esta sessão ocorresse.

Ao Dr. Guilherme Valente, o nosso muito querido Amigo, como amavelmente nos permite tratá-lo, deixamos a nossa infinita gratidão.



O responsável do grupo disciplinar de Biologia e Geologia, professor Fernando Bação.
O professor de Biologia e Geologia e presidente do Conselho Geral, João Manique
A professora bibliotecária, Liliana Silva

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Os alunos gostaram muito e para alguns, não poucos, foi um ponto de viragem na sua relação com os livros e com o conhecimento. Dificilmente se poderia fazer uma melhor homenagem ao livro, à leitura e às bibliotecas. 
Para mim, dada a minha relação antiga e especial com o universo Gradiva e em particular o universo de Carl Sagan, foi um momento inesquecível.

professor João Manique