sexta-feira, 16 de maio de 2014

Festa de abril





Dia 28 do passado mês a Escola teve o grato prazer de receber a Dra. Marília Afonso, representante da Associação 25 de Abril, o Senhor Coronel Aniceto Afonso e o Senhor Coronel Rodrigo de Sousa e Castro, Capitães de Abril, para a comemoração dos 40 anos do 25 de abril de 1974.

A sessão combinou uma descrição dos principais acontecimentos desse dia – a saída das principais unidades militares do país dos seus quarteis à hora da 2.ª senha (Grândola, Vila Morena, a canção de Zeca Afonso) para ocupar lugares estratégicos do poder com viaturas blindadas e o comando das operações do Movimento das Forças Armadas por Otelo Saraiva de Carvalho a partir do quartel da Pontinha – com uma reflexão sobre o efeito dos mesmos: a liberdade, os direitos dos trabalhadores e das mulheres, o serviço nacional de saúde, a escola pública, o direito à justiça e a constituição de um estado social que a todos serve.

Teve ainda a felicidade de poder contar com armas maiores da Revolução como foram a canção e o poema. Na sessão estas estiveram a cargo do Conservatório de Música de Sintra nas vozes do Coro Leal da Câmara dirigido por Humberto Castanheira e do ator Paulo Campos dos Reis que a todos maravilharam. Fica aqui uma palavra de agradecimento a todos eles e à Dra. Raquel Coelho, diretora do Conservatório que, de imediato, aceitou o nosso convite em participar nesta sessão.

48 anos longos de ditadura só foram possíveis devido ao baixo nível de instrução da população portuguesa. Pessoas pouco instruídas e com um baixo nível de literacia são pessoas acríticas, fáceis de iludir e de controlar, corpos dóceis e submissos face ao poder.

Celebrar 40 anos de liberdade foi ainda oportunidade de abrir oficialmente a biblioteca da Escola à comunidade através de um projeto que ela desenvolve, desde o início deste ano letivo, com a Junta de Freguesia de Rio de Mouro, Ler+ com a comunidade e que só foi tonado possível graças à doação da coleção pessoal de livros e cartazes do Dr. José Moreira. A este e ao presidente da Junta de freguesia, Dr. Bruno Parreira, gostaríamos de deixar aqui uma palavra de gratidão.

Na Escola festejar esta data é sempre lembrar um amigo, um amigo que já partiu e que conduziu a sua ação pelo sonho de Abril: Fernando José Grave Moreira, filho do Dr. José Moreira e que dá nome à coleção doada por seu pai à biblioteca.

O contexto da iniciativa foi marcado por uma exposição construída pela biblioteca com o apoio da Fundação Portuguesa das Comunicações e das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento e para a qual contribuiram a Direção, a Associação de Pais e Encarregados de Educação e vários professores (Maria João Gomes, Lurdes Gonçalves, João Freitas, entre outros).

Associaram-se à nossa festa os Correios de Rio de Mouro e a Pastelaria Arca de Noé que ofereceu a todos os presentes uma deliciosa ceia.

Grata a todos estes amigos que a festa de Abril trouxe à Escola e à comunidade!

professora Liliana Silva



sexta-feira, 9 de maio de 2014

no JL



«Em três agrupamentos escolares do concelho de Sintra - Queluz-Belas, D. Maria II (Cacém) e Leal da Câmara (Rio de Mouro) - estão em curso projetos e práticas pedagógicas inovadoras, de iniciativa das respetivas bibliotecas escolares, que cruzam a educação com os media e a promoção de algumas vertentes da literacia mediática.
Acentuando mais a leitura literária ou a aprendizagem de conteúdos científicos, têm em comum disponibilizar e incentivar o uso competente e significativo de tablets, formar para a literacia da informação e, ainda, para a produção de conteúdos digitais e multimediáticos. Impulsionados e liderados pelos professores bibliotecários, os três projetos são cofinanciados e acompanhados pelo Gabinete Rede de Bibliotecas Escolares através de uma candidatura anual designada Ideias com Mérito

Isabel Mendinhos e Margarida Toscano in JL de 30 abril de 2014



O nº 1137 do JL está disponível na biblioteca.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sessão de contos




Contos para ver e ouvir

Limões que servem de pretexto à criação de laços numa vida que começa agora longe da terra; um pinheiro manso que consola um velho cuja casita na serra é consumida por um incêndio; um Jesus cuja mãe chama de Emanuel para que não siga a via crucis em direção ao calvário pelo qual todos afinal passamos; rosas perfumadas, de pétalas grossas e aveludadas, cor de rosa vivo e pitangas maduras que, pedindo “para serem colhidas, em vez de amadurecer no galho, virgens”, deixavam os dedos ensanguentados; o melhor e o mais belíssimo dos sinos cujo badalo tem que ser posto por cada um de nós, já que “o som mais belo é o que surge de dentro de uma mente clara e de um coração terno” e um rei dos macacos que, julgando deter um grande poder, viaja até ao fim do mundo para descobrir que, afinal, nunca fora para além do centro da palma de uma das mãos de Buda foram os protagonistas de uma sessão de leitura de contos que ocorreu, na biblioteca, dia 27 de março e que deixou os presentes com os sentidos e a imaginação desperta.

Os contos foram selecionados, pela professora Luísa Supico, a partir das obras Anti-Bonsai de Maria Teresa Maia Gonzalez (O Limão e Pinheiro Manso), Contos de Clarice Lispector (Via Crucis e Cem Anos de Perdão) e Os Melhores Contos Espirituais do Oriente de Ramiro Calle (O Sino e O Rei dos Macacos) e foram maravilhosamente lidos pelos seus alunos Carolina Arvelos, Catarina Palma, Catarina Silva e Mauro Freitas (11.º ano – turma C5) e pela própria professora.

Karina Jeppesen e a turma A do curso CEF de Assistentes de Técnicos de Imagem e Som de que é professora foram o magnífico público para quem esta sessão de contos foi criada. O mote da sessão foi dado: dar aos contos lidos as imagens, o movimento e o som de que eles estão desprovidos e sem os quais ficam, irremediavelmente, incompletos. Para estes técnicos e artistas a responsabilidade da tarefa é imensa, mas o produto final será, por certo, soberbo.

professora Liliana Silva







sexta-feira, 28 de março de 2014

Ler BD






Duas criaturas bizarras, marginais e solitárias - um rapaz e uma "coisa perdida" - cruzam-se num cenário aridamente futurista e industrializado. Enigmática, sem nome, sem proprietário, de origens e referências desconhecidas, sobre esta "coisa perdida" pouco ou nada se sabe. E, efetivamente, depois de lermos este livro nada ficamos a saber.

Shaun Tan, autor e ilustrador australiano (...), ao invés de traçar um clássico caminho de retorno para "a coisa perdida", decide apresentar-nos uma original e melancólica narrativa sobre a estranheza, a diferença e a amizade. Num deserto em que o progresso científico e tecnológico se instalou de forma flagrante, restam incólumes os seres de toque surrealista, quase daliniano, que Tan explora com acurado detalhe visual, contrastando com as ambiências cromáticas secas e estéreis que aplica à restante paisagística.
Este é um álbum para se apreciar de capa a capa e que se distingue sumamente pelo grafismo retro com que o seu autor baliza, em pano de fundo, os diferentes quadros do conto. 

The Lost Thing, publicado originalmente em 1999, inspirou Shaun Tan a realizar uma curta metragem homónima, que recebeu, em 2011, o Óscar de Melhor Curta Metragem de Animação.

Fonte: www.criacria.com,  25 outubro 2012


Os livros de BD de Shaun Tan, Contos do Subúrbio e A Coisa Perdida estarão brevemente disponíveis na biblioteca.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Net Children Go Mobile



Na sequência da participação da Escola no projecto EU Kids Online que ocorreu no ano letivo 2012/2013 (ver post de 14de junho de 2013), a Biblioteca Escolar colaborou, este ano letivo, no tratamento dos dados do inquérito adaptado do projecto conforme foi aplicado, no ano letivo transato, nas restantes escolas do Agrupamento. Do tratamento efetuado resultou um estudo comparativo entre as diferentes escolas do Agrupamento no âmbito das principais questões do inquérito, o qual foi divulgado, no mês de fevereiro, a todos os professores do Agrupamento. Deste estudo sobressai a necessidade e importância dos professores, dos pais e demais educadores orientarem as crianças e jovens no que fazem online.

No ano letivo 2013/2014, a pedido da Professora Dra. Cristina Ponte (UNL), a Escola foi convidada a participar na recolha de dados empíricos para o estudo internacional, Net Children Go Mobile empreendido pelo mesmo projeto e que visa conhecer o modo como crianças e jovens, dos 9 aos 16 anos de idade, utilizam telemóveis, smartphones, tablets e portáteis com acesso à internet.

No contexto das entrevistas que foram realizadas a um grupo de foco constituído por professores da Escola, no qual elementos da equipa da biblioteca participaram, estes manifestaram a sua preocupação relativamente ao facto dos jovens utilizarem a internet sobretudo para comunicar e entreter e não tanto para informar e/ou construir conhecimentos próprios, como se esperaria ao nível do ensino secundário. Sublinharam ainda a frequência com que os alunos procedem ao plágio sem terem consciência de que, ao agirem desta forma, se limitam a transferir informação de um sítio para outro sem alterarem o seu conhecimento inicial do tema em estudo e que cometem um crime, punível por lei, sobre a propriedade intelectual.

Como forma de dissuadir os alunos desta prática sugere-se que o professor, em caso de suspeita, utilize um conjunto de programas e sítios online, de acesso livre, para detetar estas situações de plágio de forma a que o aluno, antes de copiar e colar conteúdos que não são da sua autoria, reflita sobre as consequências do seu ato.

professora Liliana Silva


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Tragicomédia



Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma história comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida: o amor, o sacrifício e a cerveja.

Cota: 821.134.3 CRU 8664

Podcast  TSF de 14 junho a 2012,  por Carlos Vaz Marques: aqui.



Outras obras deste autor disponíveis na biblioteca:

   - Os Livros Que Devoraram o Meu Pai
     Cota: 821.134.3 CRU 8657

   - Enciclopédia da  Estória Universal
     Cota: 821.134.3 CRU 8107

   - O Livro do Ano
     Cota: 821.134.3 CRU 8664

   - A Contradição Humana
     Cota: 821.134.3 CRU 8687

  - Para Onde Vão os Guarda-Chuvas
    Cota: 821.134.3 CRU 8690




Afonso Cruz






A propósito do encontro com o escritor Afonso Cruz...

O que distingue a descrição de uma sala feita com recurso à palavra de outra que utiliza o desenho, a fotografia ou ainda a imagem em movimento?

                Esta foi uma das várias questões feitas a Afonso Cruz sobre a sua obra, num encontro animado a propósito dos seus livros, que teve lugar na Escola Secundária Leal da Câmara, dinamizado por professores e alunos de literatura e promovido pela Biblioteca Escolar em parceria com a CMS.
                Figura de valor reconhecido internacionalmente pela sua atividade criadora multifacetada, que concilia o prazer da escrita com a ilustração, a música, o cinema de animação, Afonso Cruz, tomando como exemplo a sala, assume que, no processo de criação, a realidade será sempre objeto de diferentes representações, de acordo com a especificidade de cada uma das linguagens utilizadas para a representar.
Neste contexto, poder-se-á inferir que a escrita será, certamente, aquela que mais dificuldades suscitará em termos de reprodução do espaço evocado, não só pelo seu carácter inefável, pela incapacidade de, por si só, «dizer» a realidade, mas também pela multiplicidade de leituras subjetivas que evoca no recetor de acordo com a sua experiência e com o seu horizonte de expectativas.
                Mais do que representar ou reproduzir o real, Afonso Cruz considera a escrita uma forma de questionar a realidade, de refletir sobre ela; de explorar diferentes pontos de vista, adotando ângulos de visão diferenciados, que vão levar à superação de estereótipos ancestrais repetidos ao longo dos tempos, para suscitar novas perspetivas de abordagem e pôr em confronto novas ideias e formas diferentes de olhar.
                Foi este o grande contributo que Afonso Cruz partilhou com os seus leitores de forma natural e espontânea. Seduzidos, durante a leitura, pelo carácter inusitado de alguns títulos dos seus livros (Jesus Cristo bebia cerveja; Para onde vão os guarda chuvas?; Os livros que devoraram meu pai; Assim, mas sem ser assim…; O pintor debaixo do lava-loiça…), os alunos tiveram a oportunidade de perceber, confirmar e de questionar acerca do efeito revelador e misterioso assumido pela palavra. Mais do que a confirmação de respostas ou certezas, puderam perceber nos livros lidos, e dirigidos a diferentes faixas etárias, várias questões que os intrigaram sobre temas tão díspares como a religião, o amor, a ciência ou a própria humanidade com as suas contradições intrínsecas.
                Conduzidos pela escrita, através da escrita de Afonso Cruz, os participantes nesta sessão, tal como a protagonista da obra O Livro do Ano, foram levados a usar o seu «jardim na cabeça» para não entrarem na escola das «pessoas normais» e poderem, deste modo, conceber/perspetivar novas possibilidades de encarar o mundo em que vivem.
                Foi certamente um encontro interessante e motivador entre este escritor e os seus leitores, onde muitas perguntas ficaram ainda por fazer, à semelhança do que provavelmente acontecerá ao escritor, na relação que mantém com o seu público através das suas obras.

professora Teresa Lucas