sexta-feira, 31 de maio de 2013

Da experiência e do mito











A viagem do herói

Para o marinheiro o espaço e o tempo não é homogéneo e contínuo, mas, antes, apresenta quebras, ruturas.
Por um lado, o marinheiro vive no porto de terra no qual estabelece as suas relações familiares estáveis e duradouras. Parte integrante da civilização, o marinheiro toma a mulher do porto de terra como um ser confiável e digno de proteger os seus filhos.

Por outro lado, o marinheiro vive no porto de escala, lugar profano e impuro, habitado por demónios suscetíveis de o fazer romper com os seus compromissos em terra. Quando habita este lugar o marinheiro olha a mulher como suscetível de aventura e digna de ser sua amante.
Finalmente e, uma vez em mar alto, sob o signo da viagem, o marinheiro luta feroz e incansavelmente com os elementos da natureza que, a todo o instante, põem à prova a sua força, prudência e temperança. Esta luta, da qual depende a sua sobrevivência e a dos outros elementos do navio, faz dele um herói ou uma besta.
Estas regiões, qualitativamente diferentes, separam-se por escotilhas que, uma vez atravessadas, deixam ao marinheiro sempre a nostalgia da viagem na qual ele, aos olhos dos companheiros e de si próprio, ascendeu à condição de imortal.

Foi do mito e da experiência de um navio de guerra que o Sr. Comandante Alcindo Ferreira da Silva veio à Escola falar, no passado dia 23 de maio, num auditório repleto de alunos e de professores. Foram as obras de Júlio Verne e de Luís Vaz de Camões que o fizeram apaixonar-se pela marinha. Já reformado e dedicado a outros projetos, como o do seu doutoramento em História, deixou-nos o sentimento de, verdadeiramente, nunca ter abandonado o navio que dirigiu.

professora Liliana Silva


Artes & Multimédia





Mais um ano está prestes a terminar.

Para todos foi o ultrapassar de uma etapa tantas vezes penosa, tantas vezes compensadora. Para os mais novos, foi o tomar de consciência de que nem sempre o sonho cola com a realidade…é afinal preciso muito mais esforço, dói mesmo por vezes. Para os mais velhos  é o terminar de um ciclo, o vislumbrar de uma nova fase da vida esperando que a passagem por esta escola os tenha preparado para algo maior. Para os professores, espelha-se no trabalho obtido a sensação do dever cumprido restando esperar pelos que hão de  vir.

Os desenhos também podem ser vistos aqui

professora Arminda Bernardino



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Granta Portugal



Já editada no Brasil, Espanha, Noruega, Suécia e Bulgária a  versão  portuguesa  da  revista literária inglesa GRANTA encontra-se, desde hoje,  à venda nas livrarias.


Chancelada pela editora Tinta-da-China, a edição portuguesa é dirigida pelo jornalista Carlos Vaz Marques e terá  periodicidade semestral.

EU é o mote inicial.

«Dizemos eu a todo o momento, mesmo quando julgamos estar a anunciar verdades universais. A primeira pessoa do singular é o ponto de partida literário por excelência. Dele emerge, nos melhores casos, um olhar capaz de nos restituir o mundo a partir de um ponto de vista inaugural, permitindo-nos questionar e reavaliar não apenas o que nos rodeia e o que vemos, mas acima de tudo aquilo que somos.

É desse pressuposto que nasce a Granta e foi por isso óbvio, desde o início, que o tema deste primeiro número seria o mais elementar dos pronomes pessoais, aquele a partir do qual tudo de constrói.

Pediu-se aos autores portugueses que compõem este número inicial que interpretassem tão livremente quanto possível o mote que lhes foi proposto. [...]

A vocação da Granta cumpre-se  acima de tudo nos textos inéditos que nasceram para lhe dar corpo. Não será o caso dos sonetos de Fernando Pessoa que aqui revelamos, quase oitenta anos depois da morte do poeta: uma edição a acentuar o carácter de coleccionador que este primeiro número por certo alcançará. Acima de tudo, no entanto, orgulhamo-nos dos textos que sem esta revista nunca teriam existido».

Carlos Vaz Marques, in Editorial   

Além dos cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa, o primeiro número da revista Granta inclui  textos de Saul Bellow, Orhan Pamuk, Dulce Maria Cardoso, Hélia Correia, Afonso Cruz, Rachel Cusk, Ricardo Felner, Valter Hugo Mãe, Rui Cardoso Martins, Simon Gray e Ryszarh Kapuscinski, ilustrações de Vera Tavares e um ensaio fotográfico de Daniel Blaufuks.



O nº 1 da revista Granta está disponível na biblioteca.



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Feira do livro (2)



Começa hoje a 83º Edição da Feira do Livro de Lisboa.

Este ano a listagem dos "Livros do Dia"   previstos para os 19 dias de duração do evento poderá ser consultada antecipadamente:  Aqui.


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Newton Gostava de Ler (4)





No dia 9 de Abril de 2013, tive a oportunidade de participar numa atividade designada “Newton Gostava De Ler”. Esta tarefa foi realizada na escola básica Padre Alberto Neto, situada em Rio de Mouro.

Para começar, devo admitir que adorei o propósito deste projeto. O seu programa tem como finalidade conjugar dois elementos de aparente contraste e que se julgavam quase impossíveis de enquadrar um no outro, neste caso, a leitura e a ciência. Quando me deram a conhecer tal atividade, esta despertou a minha total atenção, pois eu nunca havia ouvido falar na interligação destes dois tipos de conhecimento. Assim, alinhei e dirigi-me para a escola acompanhada da professora bibliotecária, a professora Liliana Silva.

Durante a sessão de leitura, a turma do 9º ano à qual recitei os dois excertos do livro As mais belas coisas do mundo, de Valter Hugo Mãe, revelou-se bastante calma e atenta, o que possibilitou que os meus nervos se desvanecessem naquele silêncio inquietante. Esta experiência, enquanto leitora, permitiu-me perceber que tenho capacidade de captar a atenção de um público desconhecido, o que foi muito gratificante para mim, visto que sou inexperiente nesta “matéria”.
Depois, tive a possibilidade de assistir a inúmeras experiências que me relembraram os tempos do básico que vivenciei e que mais marcaram a minha vida.

Gostei imenso de ter tido a possibilidade de fazer parte de um projeto tão interessante, motivador e de carácter inovador, para não falar do livro delicioso e emotivo que foi escolhido para a execução das várias tarefas. Fez-me aprender a ver a leitura de uma forma mais ampla e aperceber que esta também pode ser a junção de outras ciências, levando-nos a ver para além dos limites do que fisicamente observável.

Como conclusão, devo afirmar que este projeto nasceu de uma ideia maravilhosa, com o objetivo de incentivar os alunos a apreciar melhor tanto a arte da escrita e leitura, como a das ciências. É acessível a todos, pois as experiências executadas são muito simples e até podem ser feitas em casa. Quanto aos livros escolhidos pelos criadores do projeto em si, são livros de uma fácil acessibilidade também, o que faz com que a leitura se torne mais agradável para o leitor.


Ana Teresa Bernardino Pousadas, 10º H1



Este post também está publicado aqui


Valter Hugo Mãe (*)



Esta é a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida coma tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.

As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura do António e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com  a nossa natureza, tem o poder de a transformar.

Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe.

Ibidem.


O livro de Valter Hugo Mãe inspirou o trabalho da artista plástica Maria Rita Pires, patente na galeria Trema até ao dia 8 de Junho. 

Escreveu  o autor sobre o trabalho da artista: 

« O modo como o papel floriu, como se fez pássaro e borboleta, a roupa interior que seca na árvore, tudo me maravilha. Como se o mundo do livro se traduzisse num atrito ínfimo da luz, uma presença quase ausente, igual às visões de sonho. O trabalho da Maria Rita Pires deslumbra-me. Põe-me a ver milagrinhos de papel. Aquilo que os escritores tanto buscam nas palavras e que ela encontrou tão ao pé delas.»  Aqui.





O livro está disponível na biblioteca.
Cota: 821.1343 - MAE

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(*) Autor vencedor do Prémio José Saramago (5º edição, 2007).


Cineconvida (4)



Foi no passado dia 4 de maio que o Clube de Cinema organizou mais um encontro cinéfilo, desta vez na cidade ribeirinha de Lisboa, para assistir ao filme Não (2012) de Pablo Larraín (Santiago, 19 de agosto de 1976), jovem realizador chileno cuja obra não deixa de surpreender e de ganhar prémios em festivais internacionais, de reconhecido mérito.

Nomeado pela Academia dos Óscares na categoria de melhor filme estrangeiro, Não é um filme muito diferente dos outros a que os holofotes publicitários teimam em nos habituar.

Difícil de classificar, entre o histórico e o documentário de ficção, Não atira-nos para um espaço e um tempo (Santiago do Chile,1988) que não é o nosso mas onde cresce o desejo que nos torna humanos, o desejo de afirmação da nossa autonomia, liberdade e responsabilidade, particularmente no que se refere ao direito a expressarmos o nosso pensamento, as nossas opiniões e escolhermos democraticamente aqueles que nos governam.

Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional que decida sobre a sua continuidade ou não no poder. Acreditando tratar-se de uma oportunidade única de pôr fim à ditadura, os líderes da oposição resolvem contratar René Saavedra (Gael García Bernal), criativo publicitário em ascensão, para coordenar a campanha do Não. Com poucos recursos e sob a constante observação dos agentes do governo, René Saavedra consegue, recorrendo a estratégias pouco consensuais, criar uma campanha consistente, alegre, positiva, na qual a palavra de ordem é um Não, cantado como um hino de esperança, que acabará por  sair vencedor, levando à queda do regime de Pinochet.

Um acontecimento com um final feliz que deu ao povo chileno uma nova esperança. Nem sempre acontece assim, pelo que este filme nos convida à reflexão partilhada, alertando-nos para a necessidade de estarmos vigilantes, ativos e, sobretudo, de nunca deixarmos de exercer o nosso olhar crítico, fundamentado num pensamento livre, autónomo e responsável.

professora Manuela Martins